Não é justo intitular como “guia” ou listar as coisas que se deve ou não fazer se você, leitor, for um estudante ou vestibulando. Se a formatura do ensino médio ou a rotina de cursos pré-vestibulares significam a passagem para o que chamam de “vida real”, um aviso: não existe o famoso manual de sobrevivência neste universo. Aliás, você pode receber o seu “manual de bixo” no dia da matrícula, mas acredite, nada muito didático. Por isso, reportar histórias foi o que escolhi na fase em que eu fui o leitor e assim, sou capaz de comunicar de diferentes ângulos.

A partir da experiência que comecei com o jornalismo há seis meses, percebi o conflito das emoções que viraram meme: expectativa X realidade; mas percebi, principalmente, que a realidade é plural para também ser expectativa e que não nos devemos ater a uma história única do que é vida real.

Pressão social, expectativa e outras drogas.

 As pessoas a volta têm de estar satisfeitas tanto quanto, ou mais que nós propriamente, com a escolha da pergunta mais feita de todos os tempos: “o que você vai ser quando crescer?”. Afinal, não queremos que aquela tia pergunte o que você faz na sua profissão, mas simplesmente tenha orgulho e conte pro resto da família, certo? Se não tiver passado direto na faculdade dos sonhos – do seu círculo social, é claro – então o desespero de fazer ou, pior, de não fazer um “cursinho” engole o leque de possibilidades de ser. Quando se é criança pode sonhar em ser astronauta e transformar o mundo, mas se você cresce, realmente não pode ser o que vai ser. Esse compilado de situações cotidianas, em maior ou menor grau, quase definem a pressão social sob uma escolha que deveria ser intransferível, mas que cedendo, resultam nos dados de evasão universitária.

Não bastando tamanha pressão de fora, a briga interna com a ansiedade de finalmente ver seu nome na lista de aprovados ou, mais, se ver no primeiro emprego, intensificam a idealização de que o curso é uma escolha única, sem direito de estar sujeito a algum erro. E esse é o maior erro. Depositar toda a energia numa única escolha que terá suas frustrações, principalmente com as pessoas, o que inclui a nós mesmos. Permeiam toda a ideia de expectativa e até decepção, quando não se entende a profissão na prática, que pode ser bem diferente do que indicam os testes vocacionais.

Rehab

Um dia e parecem tentativas infindas, mas um dia, a lista e o fim de uma entrevista de trabalho definem o respirar aliviado e lágrimas, quase como de um medalhista no pódio. Então, ali sim o processo todo faz diferença e como que um telespectador de um filme, assistimos os erros que costuram o a certo da lista de aprovação. A conclusão? Que esta última palavra da frase, é também a última nas nossas vidas. A aprovação é a grande pressão social que nos faz ansiar por expectativas de um final reconciliador, é a necessidade humana que exige o “sim” de todos os lados e a ponte de todos os processos de quem vê a importância da educação como cultura. Afinal, cultura não deve ter objetivos práticos e bem definidos, mas nutrir nas pessoas a vontade de produzir e construir um mundo por si só e para os outros. Portanto, a aprovação mais escassa e a única precisa, é a própria. É a lição que ninguém dá e todos devemos nos empoderar: autoafirmação.

SOBRE AUTOR

Quezia Isaías

18 anos, estudante de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero e amante da música e fotografia.

O QUE SER QUANDO CRESCER? EIS A QUESTÃO

VESTIBULAR

23/08/2016

 

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